Trabalho da Perícia de Informática Forense auxilia na elucidação de crimes

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Em uma sociedade informacional e tecnológica, o crime cibernético invade, cada vez mais a rotina das pessoas. Em 2018, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) mostrou o país no topo do ranking dos 10 países com origem de ataques cibernéticos (77%). Atualmente, existe um mapa onde esse índice pode ser analisado em tempo real, o nosso país está entre os cinco primeiros mais ameaçados por Crackers.

No Pará, a gerência de informática forense que faz parte do Instituto de Criminalística do Centro de Perícias Científicas ‘Renato Chaves’ – CPC, tem uma equipe bastante solicitada pela Polícia Civil do Estado. Nos últimos 6 anos, aumentou consideravelmente o número de requisições de laudos periciais de crimes tecnológicos para o setor. Só para ter uma ideia, em 2014 eram 96 requisições, no ano seguinte aumentou para 320 e a cada ano foi crescendo: 420 (2016) ; 542 (2017); 552 (2018). No ano passado, foram 610 solicitações de perícia que geraram 158 laudos a partir de 512 equipamentos periciados. 

Mayken Oliveira, titular da gerência de informáticaFoto: Bruno Cecim / Agência ParáSegundo Mayken Oliveira, titular da gerência de informática, os crimes são diversos, porém, os mais comuns são perícias em caça níqueis, fraudes bancárias, crimes de pedofilia e de improbidade administrativa.

“Em casos de pedofilia, é muito comum o criminoso baixar conteúdo infantojuvenil pornográfico no seu computador e ao mesmo tempo que baixa ele compartilha isso na rede, produz conteúdo de forma caseira e armazena. O perito tem que extrair informações que comprovem materialmente que o conteúdo é pornográfico, envolve menor de idade, foi armazenado, compartilhado e produzido”, explica Mayken.

O trabalho é desenvolvido por cientistas da computação e técnicos em processamento de dados e segue uma metodologia. “O equipamento apreendido é trazido para cá, nós clonamos o HD ou dispositivo de armazenamento de dados byte a byte (para manter a integridade do original) para extrairmos os dados através de softwares, depois os peritos analisam a partir de seus conhecimentos e por fim, elaboram o laudo pericial”, reitera o gerente.

A perita criminal, Verônica Leal, relata um caso recente que foi esclarecido pela polícia com ajuda da informática forense. A vítima teve a conta bancária invadida. 

“O criminoso ligava para vítima, dizendo ser do banco, e relatava que havia um problema na conta dela. Ele dava o endereço de uma página falsa do banco para ela acessar. A orientava como proceder na página, instalando, sem ela saber, um aplicativo no computador da vítima, que repassava todo os dados pessoais. Dessa forma ele fez dois TEDS (Transferência eletrônica disponível) da conta dela para ele, no valor de 30 mil reais cada”, relata Verônica, que é Mestre em Rede de Computadores.

O perito criminal e mestre em informática forense, Marcelo Maués, ressalta que a tendência crescente de migração dos crimes tradicionais para a internet e com uso de dispositivo de armazenamento, tem gerado uma necessidade maior de operações conjuntas entre policiais e peritos em locais de crime.

Marcelo Maués, peritoFoto: Bruno Cecim / Agência Pará“Há um tempo, quando essa demanda era menor, o trabalho pericial era muito mais de laboratório. Hoje, a gente faz triagem no local de crime para selecionar os equipamentos que serão apreendidos para serem periciados. Conseguimos fazer isso usando nossa expertise, mas precisa ter uma sinergia com a polícia , uma conversa anterior, para fazer esse processo mais seletivo, da melhor forma possível. Em alguns casos,  é feito até um laudo preliminar”, disse Marcelo.

Marcelo também lembra que os exames periciais seguem o Protocolo Operacional Padrão – POP elaborado pelo Senasp – Secretaria Nacional de Segurança Pública. Por conta disso, a equipe de peritos do Estado também trabalha em operações nacionais. Um exemplo é a operação “Luz na Infância”,  coordenada pelo Ministério da Justiça e a Secretaria de Segurança Pública. Esse tipo de trabalho, que demanda tempo e planejamento, é feito em casos prioritários e quando há necessidade de indícios fortes para efetuar prisão em flagrante.  

A delegada Vanessa Lee, Titular da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos da Polícia Civil do Pará, elogia o trabalho da equipe de peritos de informática forense do CPC Renato Chaves. Ela ressalta que, hoje em dia, o local de crime está se tornando informático, haja vista que tanto vítima quanto o bandido utilizam dispositivos informáticos móveis, ou seja, celulares. Dessa forma, é possível elucidar casos e ajudar no trabalho da justiça.

Delegada Vanessa LeeFoto: Bruno Cecim / Agência Pará“A maioria das pessoas têm celulares hoje em dia. O bandido se utiliza disso para praticar o delito. A perícia é extremamente necessária para a investigação policial, porque através do conhecimento de informática que esses peritos têm, serão extraídos dados e indícios que irão mostrar a gravidade da conduta do criminoso e dar mais robustez ao processo enviado ao juiz”, concluiu a delegada Vanessa Lee.

FONTE: AGENCIA PARA

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